Livro e Leitura

Incentivar a leitura, o livro e a literatura é uma tarefa especialmente desafiadora em nosso país, que possui quase 18% de sua população classificada como analfabeta funcional e onde apenas metade dos brasileiros tem o hábito de ler.

Por meio de Portaria do Ministério da Educação (MEC) e do Ministério da Cultura (MinC) em 10 de agosto de 2006, o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) foi especialmente instituído para criar diretrizes para uma política pública voltada a este segmento.

Como premissa está a necessidade de formar uma sociedade leitora enquanto condição essencial e decisiva para promover a inclusão social de milhões de cidadãos no acesso a bens, serviços e cultura.

[Início da descrição da imagem] Menina com cabelo preso no alto da cabeça segura um livro em suas mãos. A obra tem capa verde e o título "Gente de Muitos Anos". A menina sorri na direção do observador. [Fim] Foto: Menina com livro nas mãos (Crédto: Centro Educacional Eurípedes Barsanulfo)

O PNLL está estruturado em quatro eixos fundamentais:

  • EIXO 1 – Democratização do Acesso;

  • EIXO 2 – Fomento à Leitura e à Formação de Mediadores;

  • EIXO 3 – Valorização Institucional da Leitura e Incremento de seu Valor Simbólico; e

  • EIXO 4 – Fomento à Cadeia Criativa e à Cadeira Produtiva do Livro.


O PNLL busca atuar também em dois fatores essenciais, segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), para a formação de jovens leitores:

- A formação de “famílias leitoras”, com integrantes que se interessem vivamente pelos livros e compartilhem práticas de leitura, de modo que as velhas e novas gerações influenciem-se mutuamente e construam representações afetivas em torno desta prática; e

- A preparação para que as escolas consigam formar leitores, valendo-se de mediadores bem formados (professores, bibliotecários) e de múltiplas estratégias e recursos para alcançar essa finalidade.

 

Democratização do Acesso

Um dos principais objetivos do Plano Nacional do Livro e Leitura é democratização do acesso à leitura, ao livro e à literatura para toda a sociedade. Há o entendimento de que leitura e escrita são instrumentos indispensáveis para a formação do ser humano e que, através deles, as capacidades do cidadão poderão ser exercidas plenamente, individual ou coletivamente.

Ciente deste desafio, o PNLL busca implementar novas bibliotecas municipais e escolares com acervos que atendam, pelo menos, aos critérios básicos recomendados pela UNESCO, incluindo livros em Braille, livros digitais, audiolivros, computadores conectados à Internet, jornais, revistas e outras publicações periódicas.

O Plano visa ainda transformar esses equipamentos em centros de produção e irradiação cultural.

Por fim, o PNLL procurar apoiar a abertura de bibliotecas comunitárias – nas periferias urbanas, morros, hospitais, creches, igrejas, zonas rurais, clubes de serviços, ONGs, etc. – de modo a fomentar e garantir o acesso ao livro e leitura para todos.

 

Desenvolvimento da Economia do Livro

O mercado editorial nacional movimenta cerca de R$ 8 bilhões anualmente e apresenta-se como o oitavo maior produtor de livros do mundo. Apesar de possuir números significativos, nem todo cidadão no Brasil tem acesso a leitura, informação e cultura – direitos que são garantidos pela Constituição.

De acordo com especialistas, o principal obstáculo para a compra e a leitura não é o preço, mas sim os diferentes interesses de autores e leitores, as características dos textos e a as dificuldades que algumas pessoas têm para ler e escrever.

Logo, a questão central não gira em torno de ter ou não dinheiro para comprar um livro. É preciso, antes de tudo, haver interesse e/ou treinamento para apreender seu conteúdo.

Em uma sociedade que tem como um de seus pilares a informação e a democratização dos bens culturais produzidos, é preciso haver muito mais informação para que os livros sejam distribuídos de forma mais equilibrada em todo o país.

Segundo o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), há um paradoxo neste cenário, uma vez que, de um lado, o país dispõe de um poderoso e pujante mercado editorial, com mais de 2.000 editoras que movimentam mais de 12.000 títulos e publicam 300 milhões de exemplares a cada ano. Por outro lado, é também verdade que existe concentração do público consumidor de livros segundo critérios geográficos, sociais e educacionais.

Existe ainda um déficit considerável de livrarias no país. Há pouco mais de 2.400 varejistas no Brasil, quando o ideal, segundo, os especialistas, seria por volta de 10.000 para o contingente populacional brasileiro. Por fim, a distribuição das livrarias é desigual se considerarmos que 89% dos municípios não possuem nenhuma.

Diante disso, o PNLL articula diversas ações para fomentar as cadeias criativa e produtiva do livro: concessão de prêmios e bolsas, organização do Calendário Nacional de Feiras de Livros, a realização do Projeto Livraria Popular (apoio à criação de pontos-de-venda de livro a baixo custo e ao desenvolvimento de micro e pequenos varejistas), etc.

 

Valorização Institucional da Leitura e Incremento do Valor Simbólico

O livro vai muito além das letras impressas em papel ou em outras mídias. Ele tem de ser compreendido como repositório de valor simbólico de toda uma sociedade. Quando lê, o indivíduo se transporta a outra dimensão, quer seja o título ficcional, quer seja biográfico, ou acadêmico. O conhecimento adquirido torna-se algo que pode ser levado para a vida como bagagem que ninguém pode tirar.

Há de ser destacar que não apenas os livros, ainda que eles sobretudo, possuem esta faculdade. Revistas, gibis de histórias em quadrinhos, encartes informativos, entre outros formatos, possuem a capacidade de agregar valor simbólico e transmitir conhecimento.

Por estas razões, o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) tem como objetivo implementar ações que contribuam para ampliar a consciência do valor social do livro e da leitura. Para tanto investe em campanhas institucionais de valorização da leitura, do livro, da literatura e das bibliotecas em televisão, rádio, jornal, Internet, revistas, outdoors, cinema e outras mídias, além de ações com testemunhos de formadores de opinião sobre experiências com livros e leitura.

 

Fomento à Leitura e Formação de Mediadores


Dedicação, planejamento, pesquisa e o envolvimento do maior número de pessoas possível são itens irrevogáveis na tarefa de conduzir a população brasileira a um entendimento maior do papel do livro como repositório do valor simbólico da sociedade e da importância da leitura como item indispensável para a formação, a independência e a cidadania. Neste sentido, educadores, bibliotecários e mediadores de leitura são os agentes naturais para a condução de processo. Não é uma tarefa simples.

Por essa razão que, no âmbito do PNLL, MEC e MinC estruturam uma série de ações de fomento e formação de mediadores; que vão desde programas de capacitação, inclusive com uso de ferramenta de educação à distância, até projetos sociais locais de leitura, como contações de histórias, performances poéticas, rodas literárias, etc.

Este eixo de atuação do PNLL também buscar custear estudos e fomento à pesquisa nas áreas do livro e da leitura. Afinal, a produção de conhecimento acerca desta complexa realidade brasileira é condição primeira para o delineamento de políticas públicas eficazes e adequadas.