Etapas

O Projeto Acessibilidade em Bibliotecas Públicas tem como objetivo principal subsidiar a construção de políticas públicas que garantam o acesso das pessoas com deficiência a esse importante equipamento público. A partir deste objetivo, foram definidos seis eixos de trabalho:

 

1. Diagnóstico

 

2. Qualificação do Acervo

 

3. Acesso à Tecnologia Assistiva

 

4. Capacitação das Equipes

 

5. Comunicação e Produção de Conteúdo Acessível

 

6. Fomento ao Trabalho em Rede

 

  1. Diagnóstico

 

O objetivo, nesta etapa, foi discutir a situação atual da biblioteca, considerando os diferentes problemas enfrentados. Entre julho e agosto de 2014, consultores técnicos da Mais Diferenças realizaram uma série de visitas às bibliotecas públicas selecionadas para o projeto. Foram feitas dezenas de reuniões de trabalho e entrevistas com representantes de cada unidade, dos sistemas estaduais e autoridades dos governos locais, público com deficiência etc. Houve ainda a aplicação de questionários, levantamento de documentos, registros fotográficos, grupos focais, entre outras ações.

 

Foram elencadas as diversas situações negativas existentes, entre elas, a falta de acessibilidade, a baixa frequência de pessoas com diferentes tipos de deficiência e a ausência de uma programação acessível. Este diagnóstico produziu informações e análises sobre o contexto de atuação da biblioteca e suas características principais, considerando duas perspectivas:

 

Externa: como esse equipamento se articulava com as políticas públicas locais, estaduais e federais, prioritariamente de cultura; sua inserção no contexto dos equipamentos públicos da cidade/região; sua articulação com outras instituições e redes locais e nacionais;

 

Interna: levantamento de informações sobre as características da gestão de cada biblioteca, considerando também a sua relação com as políticas públicas locais, estaduais e federais; articulações intersetoriais; financiamento das ações; composição do acervo; perfil da equipe (considerando principalmente demandas de formação); perfil dos usuários; infraestrutura para atendimento; parcerias e alianças; participação em redes e outras articulações interinstitucionais; identificação de boas práticas relacionadas à acessibilidade e inclusão; percepção da equipe quanto aos principais desafios para a acessibilidade da biblioteca.

 

Os dados coletados serviram como base para a desenho mais aprofundado das etapas e ações que seriam desenvolvidas ao longo do projeto.

 

Em 30 de setembro de 2014, em São Paulo, representantes das bibliotecas selecionadas pelo projeto Acessibilidade em Bibliotecas Públicas e dos respectivos sistemas estaduais tiveram a oportunidade de conhecer resultados preliminares deste levantamento de campo.

 

 

[Início da descrição da imagem] Um homem e uma mulher estão em uma biblioteca. Nesta fotografia horizontal retangular, o homem, que tem cabelos brancos e veste paletó, olha para um carrinho de supermercado cheio de livros. À sua direita está a mulher, que usa um vestido preto e tem cabelos logos. Ela pega do carrinho um livro com a mão direita e repousa a outra mão sobre outro. Ao fundo estão várias estantes e uma rampa, que dá acesso ao andar térreo. [Final da descrição da imagem]

 

  1. Qualificação do acervo

 

Para que uma biblioteca seja acessível e inclusiva, é necessário possuir acervos em diferentes formatos acessíveis. O acervo de uma biblioteca pode ser entendido como o conjunto de materiais em diferentes formatos e suportes que são de interesse, uso e consulta de uma comunidade. Os acervos em formatos acessíveis são aqueles que incluem livros e outros materiais com recursos de acessibilidade (livros em braille, em tinta e braille, audiolivros, livros digitais bilíngues Português/Libras etc.) que possibilitam o acesso ao livro e à leitura para pessoas com deficiência e também são úteis para outros grupos, como os neoleitores.

 

No diagnóstico realizado junto às bibliotecas participantes do projeto constatou-se que o acervo em formatos acessíveis se concentra em materiais voltados às pessoas com deficiência visual (livros em Braille e audiolivros). Este acervo, na maioria das vezes, é fruto de doações e é apenas uma tímida amostra da produção editorial do país – segundo estimativas recentes, em torno de 5% dos títulos produzidos no país contam com versões em formatos acessíveis.

 

A partir deste cenário, e considerando o diagnóstico quanto ao acervo em formatos acessíveis disponíveis nas bibliotecas participantes do projeto, ficou clara a necessidade de qualificar o acervo de livros e outros materiais em formatos acessíveis disponibilizados por essas bibliotecas. Para tanto, foram realizadas as seguintes ações:

 

  • Levantamento editorial de livros disponíveis no mercado em diferentes formatos acessíveis;
  • Levantamento de livros em formatos acessíveis desenvolvidos com recursos do governo federal (MEC, Lei Roaunet);
  • Análise do perfil do acervo de cada biblioteca do projeto (diagnóstico);
  • Acessibilizar 10 livros para pessoas com diferentes deficiências.

 

As bibliotecas receberam, individualmente, 300 livros com diferentes títulos, sendo: 

 

– 290 títulos, entre obras técnicas e de literatura adulta e infanto-juvenil, disponibilizados comercialmente ou por instituições que recebem recursos públicos.

 

– 10 outros livros foram, por sua vez, inteiramente acessibilizados pela Mais Diferenças para atender pessoas com diferentes tipos de deficiências graças à incorporação de recursos tais como inserção de Língua Brasileira de Sinais, audiodescrição, Daisy, leitura ampliada, leitura fácil etc. Estes livros também existem em formato digital, disponíveis neste portal para todas as bibliotecas do país.

 

Além desses materiais, o Projeto realizou parcerias para a obtenção gratuita de outros produtos culturais com recursos de acessibilidade, como brinquedos e filmes. Acompanhe neste site as novidades a esse respeito!

 

 

  1. Acesso à Tecnologia Assistiva (TA)

 

A partir do mapeamento realizado na fase de diagnóstico, a etapa de “Acesso à Tecnologia Assistiva” trata da aquisição de equipamentos como impressores em Braille, scanners, mouses ópticos e outras ferramentas para que as bibliotecas participantes  do projeto possam contar com recursos que reduzam as barreiras de acesso aos livros em diferentes formatos.

 

No Brasil, as ferramentas, soluções e máquinas com Tecnologia Assistiva mais comuns voltam-se ao atendimento das pessoas com deficiência visual. São scanners, por exemplo, que ampliam o tamanho das fontes, digitalizam publicações e as transformam em formatos acessíveis. Há dispositivos ainda que conseguem até “ler” o conteúdo de páginas para os cegos e pessoas com baixa visão graças a softwares que emitem sons.

 

É possível, no entanto, ir muito além disso, contemplando outras deficiências. Existem, por exemplo, tecnologias que permitem transmitir informações em Língua Brasileira de Sinais (Libras) para o atendimento de pessoas surdas e com deficiência auditiva. Uma das características deste mercado é o desenvolvimento contínuo de soluções em softwares com diversos recursos, muitos dos quais vão substituindo hardwares e outros equipamentos.

 

Além da disponibilização de kit de equipamentos e softwares, o projeto também capacitou as equipes das bibliotecas quanto as suas inúmeras possibilidades de uso destas tecnologias no atendimento de usuários com e sem deficiências.

 

Foto: Teclado ergonômico (Divulgação: Cobalt123/Flickr.com) [Descrição da imagem] Fotografia horizontal retangular de um teclado de computador sobre o qual está uma estrutura acrílica com buracos em cima das teclas. Trata-se de um teclado colmeia, cujo uso mais difundido está entre as pessoas com paralisia cerebral. O tremor natural das mãos de algumas dessas pessoas é minimizado por esse dispositivo, facilitando, portanto, a digitação. [Final da descrição da imagem]

 

  1. Capacitação das equipes

 

A capacitação e o envolvimento das equipes das bibliotecas são fundamentais para o fortalecimento das políticas públicas de livro e leitura e sua perenidade. A partir do diagnóstico realizado, foi desenhada uma estratégia de formação envolvendo toda a equipe das bibliotecas, estendida a profissionais de outros equipamentos culturais e profissionais ligados à temática do livro e leitura. Estas ações estão fortemente ligadas aos eixos do PNLL, dos Planos Nacionais, Estaduais e Municipais de Cultura, aos marcos legais dos direitos das pessoas com deficiência e às políticas e programas de livro e leitura, em uma perspectiva acessível e inclusiva.

 

Ao longo do projeto foram realizadas capacitações com diferentes objetivos e formatos, como cursos, oficinas, seminários, eventos de lançamento, ações de sensibilização e conscientização e visitas técnicas a centros de referência.

 

  • Cursos:

– Princípios das políticas e programas de livro e leitura acessíveis e inclusivos;

-Políticas públicas de livro e leituras para todos: gestão, implementação e boas práticas;

-Libras instrumental, especialmente desenvolvido para equipes de bibliotecas;

-Capacitação sobre ferramentas e usos de Tecnologia Assistiva.

 

  • Oficinas:

– Mediação de Leitura em uma perspectiva inclusiva;

– Cinema e inclusão.

 

  • Ações inclusivas:

A fim de que as equipes das bibliotecas pudessem vivenciar experiências inclusivas debatidas ao longo das formações, foram realizadas, por profissionais da Mais Diferenças, ações inclusivas para o público externo em todas as bibliotecas participantes do projeto.

 

Além disso, profissionais das bibliotecas visitaram centros de referência em acessibilidade no início do projeto e, ao final, participaram de um Seminário Internacional.

 

 

  1. Comunicação e produção de conteúdo acessível

 

Infelizmente, os diferentes aspectos da comunicação são por vezes negligenciados quando se trata da oferta de recursos de acessibilidade para pessoas com deficiência. Não raro, uma biblioteca encontra-se acessível do ponto de vista arquitetônico, mas um usuário surdo enfrenta a constrangedora dificuldade de ter acesso por não conseguir entender os profissionais da biblioteca e/ou se fazer compreendido. Outro exemplo: um cego pode ficar perdido diante de um site na internet caso lhe seja dificultado ou impedido o uso de leitor de tela ou quando simplesmente inexistem descrições das imagens.

 

Em resumo, as barreiras comunicacionais implicam a perda de oportunidades de sociabilização para a população com deficiência, além de impedirem a construção de conhecimento e o aprimoramento pessoal. Isso pode ter impacto na autoestima e autoconfiança, não raro levando a pessoa com deficiência a um caminho de isolamento e exclusão social.

 

Desde o início do projeto, foi definida a construção do presente portal com recursos de acessibilidade. Ele foi concebido para cumprir uma série de objetivos: (a) ser um repositório do conhecimento gerado pelo projeto; (b) um arquivo das notícias com o desenrolar das ações, (c) transmissão de conhecimento sobre as políticas de livro e leitura, (d) disseminação de conceitos ligados à inclusão e à acessibilidade, (e) ferramentas para dividir as aprendizagens e (f) fomento ao trabalho em rede.

 

Neste site também está disponível os principais marcos legais e políticos relativos à inclusão de pessoas com deficiência, em formatos acessíveis. Em outras palavras, pode ser baixado gratuitamente e usufruído por pessoas com e sem deficiência.

 

Os principais passos do projeto foram acompanhados por uma equipe de comunicação do projeto e, posteriormente, transformados em conteúdo que alimentam o portal do próprio SNBP (http://snbp.culturadigital.br) e a fanpage do Projeto (https://www.facebook.com/acessibilidadeembibliotecas). Este conteúdo também se encontra reproduzido na seção “Notícias” deste site.

 

Para as ações de comunicação foram desenvolvidos recursos de acessibilidade em formato audiovisual para que as pessoas (com e sem deficiência) possam estar inteiradas de tudo o que acontece no projeto. Confira aqui um exemplo de conteúdo com narração, legenda e interpretação para Língua Brasileira de Sinais (Libras).

 

Além das notícias, outros materiais de comunicação, como press releases distribuídos a jornalistas, também têm incorporada a acessibilidade. Dê uma olhada neste exemplo:

 

Além disso, foi produzido um Manual Orientador, a ser disponibilizado a todas as bibliotecas públicas do país, contendo indicações às bibliotecas relativas aos eixos deste projeto: realização de diagnósticos, qualificação de acervo, capacitação de equipes, usos de Tecnologias Assistivas etc.

 

Fomento ao trabalho em rede

 

As políticas de livro e leitura envolvem um conjunto de atores relacionados à regulação, fomento, produção, distribuição, mediação e consumo de livros, entre outros. Este projeto buscou estimular o trabalho em rede, promovendo ações voltadas à articulação e mobilização destes atores, visando fortalecer a questão da acessibilidade na agenda da cadeia do livro e da leitura no Brasil. Entre as ações realizadas estão:

 

– Uso das redes sociais e do portal do projeto para fomentar articulações e colaborações entre sistemas estaduais, bibliotecas estaduais e municipais;

 

– Mobilização do setor de livro e leitura: participação em eventos, seminários, redes, etc;

 

– Mobilização dos órgãos públicos e organizações da sociedade civil com ações relacionadas às pessoas com deficiência, visando à formação de público para as bibliotecas.

 

– Contribuir para maior articulação entre políticas públicas setoriais, especialmente cultura, educação e direitos humanos.

 

Acessando este link (clique aqui) você poderá conferir uma série de ações que já foram realizadas pelo projeto para este trabalho de fomento do trabalho em rede..