Diagnóstico

Conteúdo do Trabalho de Campo

 

O projeto “Acessibilidade em Bibliotecas Públicas” realizou de junho a agosto de 2014 o trabalho de campo da fase de diagnóstico. Ao longo do período, as dez bibliotecas selecionadas para integrar o programa foram visitadas por consultores da Mais Diferenças (MD), que trabalharam em conjunto com assistentes de pesquisa locais.

 

O diagnóstico se deu a partir de dois tipos de pesquisa: uma quantitativa e a outra qualitativa. No primeiro caso, buscaram-se dados de cada estado onde havia uma biblioteca participante do projeto. Foram levantados números sobre economia, população com e sem deficiência, educação inclusiva e não-inclusiva, cultura (especialmente sobre equipamentos culturais) e políticas de livro e leitura. A pesquisa também abrangeu informações específicas das bibliotecas.

 

Já o levantamento qualitativo apurou dados por meio de três tipos de questionário aplicados nas bibliotecas do projeto: um destinado aos funcionários, outro aos usuários com deficiência e um terceiro ao responsável pelo setor responsável por compras.

 

Para a pesquisa qualitativa, foram realizadas também observações do cotidiano das bibliotecas realizadas pelos consultores e assistentes de pesquisa, entrevistas em profundidade e grupos focais. Os consultores da MD ouviram diferentes atores locais importantes, tais como os Secretários de Cultura, representantes de Conselhos Estaduais de Cultura, Diretores dos Sistemas Estaduais de Bibliotecas Públicas, gestores e funcionários das bibliotecas, membros de organizações e associações de pessoas com deficiência das capitais e dos estados, etc.

 

Os grupos focais foram direcionados a usuários e funcionários com deficiência das bibliotecas. O objetivo neste caso era discutir coletivamente algumas questões importantes.

 

A apresentação com dados quantitativos desta pesquisa pode ser baixada por meio deste link.

 

A versão acessível está disponível aqui. 

 

 

 

Conteúdo – Pesquisa Nacional de Acessibilidade em Bibliotecas Públicas

 

Parte do esforço do projeto Acessibilidade em Bibliotecas Públicas para construção de um diagnóstico da acessibilidade nestes equipamentos culturais em todo o país se deu com a realização de uma pesquisa nacional aberta e com participação livre.

 

Entre setembro de 2014 e janeiro de 2015, mais de 300 bibliotecas públicas responderam, em uma plataforma de pesquisa online, a questões sobre acesso de pessoas com deficiência a informação; acessibilidade física; capacitação das equipes; características do acervo acessível; ações e serviços oferecidos a este público; etc.

 

As conclusões desta Pesquisa Nacional de Acessibilidade em Bibliotecas Públicas dão sinalizações importantes do cenário desafiador no Brasil no que tange ao plano acesso das pessoas com deficiência nestas instituições.

 

Foi identificado, por exemplo, que menos da metade das bibliotecas participantes relata possuir itens indispensáveis de acessibilidade arquitetônica, a saber, banheiros acessíveis, piso tátil, elevador, corrimões nas escadas, entre outros pontos. Entende-se, portanto, que o próprio local se coloca muitas vezes como um ambiente hostil às pessoas com deficiência. Não raro, oferece importantes obstáculos que podem simplesmente impedir a visitação regular deste público.

 

Das instituições pesquisadas, 38% não possuem sequer bibliotecário e apenas 11% contam com funcionários com deficiência. Mesmo assim, quase 65% das bibliotecas afirmaram atender pessoas com deficiência.

 

Gráfico: Porcentual de bibliotecas que atendem usuários com deficiência

 

[Início da descrição da imagem] Ilustração de um círculo que representa a porcentagem de bibliotecas que atendem pessoas com deficiência. O lado esquerdo, que é cor de rosa, representa os 64% das bibliotecas que disseram atender esse público. A parte roxa representa as 36% bibliotecas restantes que não atendem este público. [Final da descrição da imagem]

 

O percentual de bibliotecas que atendem esse público é maior entre as instituições que possuem funcionários com deficiência, a saber, 89%.

 

Dentre as dificuldades no atendimento apontadas pelos que responderam ao questionário online estão a (a) falta de recursos para aquisição de materiais com Tecnologia Assistiva, (b) reduzido acervo acessível, (c) falhas ou inexistência de acessibilidade arquitetônica e (d) formação limitada dos funcionários no que compete à comunicação.

 

Baixa frequência – Tais dados ajudam a compreender as razões subjacentes a uma colocação corriqueira das equipes que atuam nas bibliotecas: a de que a frequência das pessoas com deficiência costuma ser muito baixa na maioria delas. Não raro, essa constatação é usada como justificativa para reduzir esforços em prol da ampliação da acessibilidade – o que significa uma inversão de objetivos e o descumprimento do compromisso constitucional de inclusão das pessoas com deficiência.

 

Em termos quantitativos, a frequência desse público, apontada no levantamento realizado pelo projeto, é de menos de 10 pessoas/mês em quase metade das bibliotecas estudadas.

 

As pessoas com deficiência física são as que mais vão às bibliotecas; o que é compreensível ante o fato de que elas não possuem distinções importantes no acesso à informação escrita, como as comunidades surda e cega.

 

De fato, quando perguntadas se se consideram aptas a atender usuários com outros tipos de deficiência, as respostas afirmativas das bibliotecas perfazem porcentuais bem mais modestos.

 

Gráfico: Porcentual de bibliotecas que atendem usuários com deficiência por deficiência

[Início da descrição da imagem] Gráfico em formato de barras horizontais que representa a porcentagem de bibliotecas que atendem pessoas com deficiência, separado pelos tipos de deficiência. TGD/TEA são 12%, Surdo cegueira 13%, Deficiência visual (baixa visão e cegueira) 42%, Deficiência múltipla 11%, Deficiência auditiva/surdez 24%, Deficiência mental/intelectual 31% e deficiência física 72%. [Final da descrição da imagem]

 

Quando inquiridas sobre quais as dificuldades que enfrentam para prestar atendimento, as bibliotecas apontaram principalmente a inexistência ou insuficiência de recursos de Tecnologia Assistiva e o fato de o acerto acessível ser reduzido. Outros fatores, como acessibilidade arquitetônica insuficiente, também foram bastante lembrados.

 

Gráfico: Principais dificuldades para o atendimento de pessoas com deficiência na biblioteca

[Início da descrição da imagem] Gráfico em formato de barras horizontais azuis que representa as principais dificuldades para o atendimento de pessoas com deficiência na biblioteca. Baixa qualificação da equipe foi indicada por 45% das bibliotecas; número pequeno de funcionários na biblioteca 33%; recursos de tecnologia assistiva insuficientes/inexistentes 73%; acervo acessível reduzido 57%; acessibilidade de mobiliário insuficiente 56%; acessibilidade arquitetônica insuficiente 52%; e dificuldade de comunicação com o usuário com deficiência em 49% das bibliotecas. [Final da descrição da imagem]

 

No que diz respeito especificamente ao acervo, nota-se a predominância de conteúdos voltados às pessoas cegas e com baixa visão. Mais de 50% das bibliotecas disseram ter à disposição livros em formatos acessíveis. A maioria, no entanto, afirmou se tratar de livros em Braille e audiolivros. Mesmo com materiais acessíveis, 30% das bibliotecas emprestam a usuários somente de um a dez materiais por mês.

 

Gráfico: Bibliotecas que possuem livros acessíveis

[Início da descrição da imagem] Gráfico em forma de pizza. Neste tipo de desenho, as porcentagens são representadas pelas fatias. A ilustração representa o número de bibliotecas que possuem livros acessíveis. Em 53% das instituições os livros acessíveis estão presentes. Este número está representado no desenho pela cor rosa. A parte roxa representa 45% das bibliotecas que não possuem livros acessíveis. Os 2% restantes são de bibliotecas que não souberam dizer e que estão representadas pela cor verde.. [Final da descrição da imagem]

 

 

 

Gráfico: Formatos de livros acessíveis existentes nas bibliotecas

[Início da descrição da imagem] Este gráfico em forma de barras horizontais azuis representa os formatos de livros acessíveis que existem nas bibliotecas. De um total de 160 instituições, 151 afirmaram possuir livros em Braille. Audiolivros e livros falados estão em 141 bibliotecas; imagens em relevo em 29, livros digitais em libras em 22; filmes acessíveis (com audiodescrição, legendas e janela de libras) em 21; e-books em 19; jogos e brinquedos acessíveis em 18; revistas acessíveis em 16; livros digitais/formato daisy em 15; e mapas táteis em 8 bibliotecas. [Final da descrição da imagem]

Tecnologias Assistivas que facilitam a compreensão e aprimoram as habilidades das pessoas com deficiência, como, por exemplo, máquinas de escrever em Braille, leitores de tela e bengalas, estão em apenas 4% das bibliotecas.

 

Gráfico: Adoção de TA que facilita compreensão e aprimora habilidades

[Início da descrição da imagem] Gráfico em formato de pizza que representa a adoção de Tecnologia Assistiva nas bibliotecas. A porcentagem de bibliotecas que não possuem TA é de 96%. No gráfico, a cor roxa é predominante, pois representa o não. Apenas 4% das instituições possuem essas tecnologias. Essa parte é representada pela cor rosa. [Final da descrição da imagem]

 

Para atrair maior número de pessoas com deficiência para as atividades, as bibliotecas vêm realizando uma série de ações. As principais, conforme a pesquisa, são contações de histórias, encontros com autores, saraus de poesia, oficinas de arte, etc.

 

Gráfico: Ações realizadas pela biblioteca em sua programação que visam a participação de usuários com deficiência

[Início da descrição da imagem] Gráfico em formato de barras horizontais representa as ações realizadas pela biblioteca em sua programação e que visam a participação de usuários com deficiência. De um total de 200, 27 bibliotecas possuem ledor (pessoa leitora) para pessoas com deficiência, 31 contém apresentação e discussão de vídeos (filmes e documentários), 188 possuem contação de histórias, 24 possuem produção literária, 49 bibliotecas realizam encontros com autores, 57 fazem sarau de poesias, 28 possuem musicalização, 52 oferecem oficinas de artes, e 53 realizam teatro de fantoches. [Final da descrição da imagem]

Clique aqui para baixar o PDF completo da pesquisa.

 

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